
A todo momento eu tenho muita vontade de passar aqui no blog e deixar um post. Mas muitas vezes eu abro a pagina de postagem e fico durante horas olhando para a tela no meu notebook pensando em algo interessante para escrever. E no final das contas acabo não escrevendo nada.
Mas hoje eu decidi escrever algo da qual eu entendo muito bem, porque afinal de contas, eu passei por isso e sobrevivi.
Estava assistindo a um programa de televisão da qual o quadro se chamava "Grávida aos 16". E enquanto eu assistia, percebia o quanto elas faziam tanto drama no decorrer da situação.
Eu tive uma gestação bastante conturbada. Tive dois pré-aborto, quase um aborto espontâneo, perdi sangue, perdi líquido. Fiquei três dias em trabalho de parto, porque o Hospital da USP me deixou no soro a noite toda, fazendo exame de toque a cada cindo minutos com pessoas diferentes, não tinha um médico naquele lugar, nem enfermeira, só residente, estudantes e auxiliares. E depois de uma noite toda sofrendo, no outro dia aparece a enfermeira me dizendo que vai marcar a cesária para depois de uma semana, porque não tinha vaga na maternidade.
Poxa legal, podiam ter falado antes ao invés de me deixarem sofrendo a noite toda. Voltei para casa e a esposa do chefe do meu marido é enfermeira chefe da obstetrícia do Hospital São Matheus. Então fomos para lá, e no dia seguinte fizeram meu parto. Numa equipe de sete pessoas, dois médicos, um pediatra, um anestesista, duas enfermeiras e a enfermeira chefe.
No dia do parto descubro que o Yuri estava sem líquido, foi realmente um milagre ele não nascer com algum problema. Fizeram todos os exames e não deu em nada, ele estava saudavel. E dois dias depois pude voltar para casa.
Meu filho já tem um pouco mais de uma ano, e está muito bem. Passei todo esse tempo dedicada a ele. As vezes é cansativo, mas eu não tenho quem faça isso por mim. Mas vale a pena presenciar cada segundo do seu crescimento.
Hoje moro numa casa com sete pessoas da qual 4 não são minha família, e a todo momento interferem na educação do meu filho, mas quando preciso que alguém fique com ele por algumas horas, ninguém quer, a não ser que pague, então vira outra história.
Ser mãe é difícil.
Principalmente quando eu deveria estar estudando e trabalhando, formando meu futuro profissional. Ver seus amigos em faculdades e em outras cidades, cada um se formando na profissão que queria. Saindo com os amigos, se divertindo. Enquanto eu tenho que ficar em casa cuidando do meu filho.
Acho que essa é a parte difícil de ser mãe adolescente. Literalmente se pula uma fase da nossa vida. De estudante para mãe, e dessa maneira perdemos todo aquele caminho que deveríamos fazer.
Difícil também é receber a critica da sociedade, quando nos olham e dizem "Nossa, mas você é tão novinha!".
Nos primórdios da idade média, as mulheres se casavam com 12 anos. Porque agora isso se tornou um tabu na sociedade atual?
Eu não pretendo ser dona de casa pelo resto da minha vida. Eu pretendo continuar estudando, pretendo trabalhar, afinal de contas, eu tenho uma familia para sustentar.
Mas aqui estou eu, eu sobrevivi, e não fico dando chilique como certas norte-americanas dão porque estão dentro de casa há uma semana. Eu passo meses dentro de casa e tenho que aguentar calada.
Então, tudo isso não é um bicho de sete cabeças.

